domingo, 6 de maio de 2007

um pouco mais de clarice


"Eu amo a minha liberdade, amo a honestidade das pessoas, não a considero uma virtude, mas sim, um compromisso. Gosto de ter amigos, ainda que poucos, porém pessoas raras, incomuns, loucas de preferência (...) Acredito no amor universal e nas pessoas que o exercitam, as demais ignoro e lamento!"
Clarice Lispector, Água Viva.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

parte de uma futura auto biografia

Uma pisciana mais do que aquariana, sou uma caixinha de surpresas. A idéia que eu tinha aos 18 anos de 'menina paradoxal' não se alterou em nada... sequer o "menina". Ainda não consigo me ver como mulher, desculpe a falta de senso. Mas entendo a Suzana Vieira. Tenho 20 anos, 17 desses como 'menina', oras três anos são muito pouco para mudar minha visão sob mim mesma.
Tenho muitos defeitos! Muitos! Mas em todos meus textos de definição pessoal falei mais dos meus defeitos do que das minhas qualidades, por vários motivos, mas a idéia principal era uma tentativa de provar que eu estou 2 passos à frente da humildade... Resolvi inovar. Se antes a minha idéia era dizer 'eu sou assim, me ame se quiser', hoje o slogan é bem mais sútil e diz: "Eu sou assim e queria que vc me amasse mesmo depois que conhecesse meus defeitos".
Felicidade para mim vai estar eternamente dependente à uma paixão correspondida, ou talvez o sentido da (minha) vida só existirá se houver paixão, nunca me sinto completamente realizada (até que eu morra), uso Nietzsche e Lispector como bengala emocional, busco explicação para cada acontecimento na minha vida, só sei amar me entregando, só sei dizer adeus quando se torna indiferente, só sei andar com meus pés e não embora tenha vários pensamentos maldosos, meu coração é de natureza boa.
Aprendi a ser forte... Mas devo admitir que ainda recorro a entorpecentes quando a barra fica muito pesada. Um dia eu juro que mudo isso. Segurar um choro é muito mais difícil do extravazar. Mas não choro mais atoa, não tenho medo de encarar os problemas, coloquei meu orgulho num pote de vidro e taquei pela janela. Assim sendo, sou muito mais honesta nas situações. Eu arrisco! Sempre! 50% de chances de dar certo, 50% de chances de não dar... Tudo na vida é um "talvez" até que se faça alguma coisa. Arrumei as malas da covardia e a mandei para bem longe.
Aprendi a olhar o outro com os olhos e o coração dele, ainda que descorde completamente, que não faça sentido e que me irrete profundamente. Isso implica pedir perdão quando necessário. E não ouvir um "tudo bem" após esse processo é como se outro pote de vidro com orgulho estivesse sendo fabricado... Mas ai você pensa com sua razão e acomete- se de uma certeza: "Fiz a minha parte". O pote erra o endereço.
Ainda sou muito insegura, mas eu finjo que não. Faço essa terapia comigo mesma... Finjo e acabo me convencendo de uma segurança gelatinosa. Tem muitas coisas fingidas dentro de mim, mas isso não deve ser tão ruim... Ou senão, não seria passada tanta fantasia para crianças.

Não sei andar calçada nem sem sutiã, nunca me ignoro ao passar a frente de um espelho, não sei dormir nua, não consigo deixar meus ursos guardados no armário para parecer que "aqui dorme uma mulher", não rasgo cartas nem fotos depois que romances terminam, continuo achando 'rosa' a cor mais fofa que existe, merecia uma carteirinha de ouro de cliente Cinemark, não rio em filmes de comédia, não choro em filmes de drama, não invejo filmes de romance... Não leio biografias de pessoas famosas, não tem uma lixa de unha na minha bolsa, mas tem sal para minha pressão baixa, não gosto de música eletrônica, não tem nenhum penduricalho fofo no meu celular, só admiro a natureza em fotos, descarto o contato físico com ela, não gosto de praia, não bebo cerveja, deixo minha cachorra me beijar e você que pega geral em micareta? Não acho graça em bonbons e flores, não consigo me relacionar com homens mais velhos, não consigo me aproveitar do dinheiro e da boa vontade alheia, não acredito em heterossexualidade e homossexualidade, e assim como Nietzsche, não acredito num Deus que não saiba dançar!

souassimesoufeliz.com.br ;)

domingo, 29 de abril de 2007


Pode parecer a olho nú loucura, mas a melhor coisa que aconteceu no meu relacionamento atual foi ter terminado tão recentemente outro.
Cara, ando por caminhos que já outr'ora caminhei. Vivo coisas que outr'ora vivenciei. Um dejavú claramente perceptível... Mudaram o mocinho, mudaram o enredo, mas não mudaram as sensações. Me persegue a idéia de "segunda chance", ainda que com tantas diferenças. O medo de amar de agora precedido de uma total entrega posterior. Conheço tudo isso. Sinto -me Deus de meu próprio universo pessoal. Nunca antes havia percebido que tenho total controle das conseqüencias dos meus atos. Nunca antes havia feito uma ponte entre o estimulo e a resposta. Mas além disso, hoje eu sei a resposta que meu estímulo vai obter... e tudo parece tão óbvio que dá RAIVA não ter entendido antes.
Pareço estar olhando para uma folha de rascunho amassada e amarelada pela ação do tempo... E agora estar diante de uma completamente nova e que difere por ser pautada e por eu agora ter como base o meu rascunho. Sabe?


Não, esquece. Não sei porque estou compartilhando isso aqui. Talvez pelo peso na consciencia de não estar escrevendo mais como antes. Me refiro a qualidade e quantidade. Acho que deveria não publicar isso... Mas foda-se!
Boa noite!

quarta-feira, 18 de abril de 2007


Não adiantou abstrair as letras da Ana Carolina, assistir filmes dramáticos com finais felizes, ler livro de prostitutas que também poderiam amar, se de outro lado eu via tattoagens de um dia prometido que o amor seria eterno serem apagadas com a dor 2 vezes maior (uma pela dor física, outra pela dor emocional), se fotos e cartas foram rasgadas e morri de raiva da turma da medicina altamente tecnológica que com todo seu preparo, não inventou ainda uma vacina contra a dor do fim do amor. Fim de namoro é uma merda mesmo !
Ai você se olha no espelho, se vê 12 kilos mais gorda, vê seus olhos fundos de tanto chorar, olha a agenda de telefones de 2007 ainda vazia e pensa "o que eu vou fazer agora?". 1 ano e 5 meses, há quem diga 17 meses... A vida parou. Não fiz cursos, na parede não estão penduradas as fotos da viagem pelo sul e por Buenos Aires que não fiz, não guardo a recoradação dos porres que não tive, não posso dizer que zuei no carnaval, não estourei a Chandon no Reveillon... Mas todo mundo fez tantas coisas, todo mundo tem tanta coisa pra contar. - Ai Dora, eu sai com o Marcelo, encontramos a Cecília... Nossa! Fomos na Fosfo...

- Pera aí. Quem é Marcelo? E que Cecília? E que raios de Foxfo? É esse o nome????

Ok, eu vou esquecer ele.
Sexta? Seeeexta? Pros solteiros é dia de sair com os amigos, "vou pegar tooooodos".
Cheguei lá... Olhei o ambiente. Auto estima lá em cima... É tudo nosso!! Cerveja? Não. Tá, tá... Um golinho. ECA! Àgua por favor!!! Àgua denovo... Àgua. Ah, vc já sabe o que eu quero, moço, sim, água.
Surgiu ele... Trajando uma camisa da Levi's vermelha cheia de detalhes, calça jeans, uma carinha de 'tenho 21 anos, mas pareço ter 18'... Olhei, olhei, olhei... Quando tava olhaaaando, virei a cara. Meu Deus!
Ah, tudo bem, pelo menos voltei para casa com a boca livre de herpes e outros males.
Sábado??? É HOJE!!!! Ai cacete, pra que eu fui ficar com aquele garoto? Que desnecessário...
Domingo? - Alô? Amiga? Poxa, amiga... O que vc vai fazer hj? Não me deixe em casa, pelo amor de Deus, estou em total depressão =/
Segunda? - Cinema da Uff? Ótimo! Ver o que?? CROCODILO? AH NAO! PARA! QUE SACO! Tá... Melhor do que ficar em casa. Ai ai, que triste.

Terça, quarta, quinta... Nossa, como demora para chegar o fim de semana.


Eis que o destino adora brincar contigo e aparece na sua vida aquele garoto da blusa da Levi's que você olhou, olhou, olhou... Quaaaando que vc imaginou que daí há 4 semanas ele estaria na sua portaria as 2 da manhã, meio desesperado com medo de te perder, jurando que tudo seria como se vc quisesse e te pedindo pela terceira vez em namoro? Sim, aquele, daquela sexta feira... Aquele que quando te olhou, vc desviou o olhar e fez o maior carão, mooorta de vergonha.

Tá, e foi mais ou menos assim... Mais ou menos porque há muitos detalhes que implicariam confidencias.
Tá, e quem vai dizer que existia mesmo razão nas coisas feitas pelo coração? Renato, Renato... Não deixe que brinquem tanto assim comigo. Fui de 0 a 180 com uma força incrível.
Agora se entregar é difícil, o medo da dor é inevitável. Mas amar é isso, né? É o que dizia Camões. De qualquer forma, eu me entreguei a vida, não neguei o acontecimento, o momento... É com cautela, não é com covardia.
A vida tai para cair, levantar, talvez cair denovo e não ter forças para levantar... Mas desistir de levantar é contrariar Nietzsche e morrer antes do momento certo.


Ah, sobre o outro... Sei lá. Prefiro acreditar na cartomante quando ela disse "essa árvore não dará mais frutos".

domingo, 15 de abril de 2007

nova viva, novo amor


Admito! Meu combustível é a paixão. E dessa maneira, levo a minha vida, resolvo meus problemas, acumulo mais problemas, mas no fim... sou uma pessoa MUITO feliz.


Arthur, oficialmente meu Rinocerontinho desde 13/04/2007 :**:

segunda-feira, 12 de março de 2007

F.RI.E.N.D.S.


Meus amigos são todos assim... metade loucura, metade santidade.

Escolho-os não pela pele, mas pela pupila... Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

Fico com aqueles que fazem de mim "louca" e "santa". Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.

Coisa de louco... Louco que senta, horas e horas, de conversa ou de silêncio, e espera a chegada da lua cheia. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Não quero deles só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria... Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem. Mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância, metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto. E velhos, para que nunca tenham pressa. Preciso deles para saber quem eu sou, pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril!


...a tristeza me torna compulsiva, carente, nociva, criativa, desistente, tagarela, desanimada, desconexa, chata, dramática, paradoxal e passiva.

Um último desejo: Bate a minha porta e se joga no sofá, Senhorita Tranquilidade?
Obrigada!
Abasteci a geladeira! Por hora não morrerei de fome, ansiedade, gula e principalmente: nem de tédio.

Talvez venha a explodir...
...aah, comer! Depois de dormir, é fatalmente* a melhor coisa da (minha) vida.

Ps: Fatal sim... Afinal, estamos falando de uma pessoa que tem a taxa de triglicerídeo dobrada do que é considerado pelos especialistas como "normal". O que não mata, engorda.

um típico "querido diário"



A frase correta seria:
Há mais mistérios entre o meu coração e o meu cérebro que a ciência pode explicar.
Posso afirmar que nem a anatomia humana e a psicologia unidas não dariam conta. Nem uma tal de Doralice Tavares poderia. E olha que esta mencionada carrega o status de Proprietária - com pê maiúsculo - dos orgãos citados na linha após os dois pontos.

E eles estão discutindo faz dias; daí voa cadeira de um lado, voa mesa do outro. Que nem marido e mulher em terapia de casal. Um dá o seu depoimento, o outro por sua vez arrebate e se defende sobre o seu ponto de vista eloqüente.
Num impasse sem passe, imbuído pela incerteza mais certa e a certeza absoluta sem um pingo de seu próprio ingrediente. E sobretudo, estando sem régua que possa medir o comprimento e a profundidade do rombo do descontentamento pensado e passado, só faz aumentar o buraco estendido para dentro ou para fora, mas que de qualquer forma, certamente sempre visível aos olhos de qualquer criança cega, que existe aqui, alguém que revivencia o tal estado de calamidade pessoal.

Grito por ajuda.

domingo, 11 de março de 2007

Eu disse sim porque o não entalou e não saiu
Mas quando eu disse não, eu queria mais era dizer sim

A razão negou, mas o coração aceitou.
"E quem irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração?"
Salve Renato!

Melancolia



Contratei um detetive e pedi que investigasse a veracidade, a fidelidade e a lealdade dos meu eu interno.
Fui invadida esta semana. Pé de cabra arromba a porta. Entra sem pedir licença, me rende e me aprisiona. Cativeiro interno. Acorrentada, não consigo sair, enjaulada dentro de mim.
Nenhuma fresta de luz consegue penetrar na escuridão que fui parar.
Os olhos pesam. Quanto mais choro, mais anestesiada sinto-me. Dormir também ajuda. Este é o meio que encontrei de driblar a carcereira Melancolia.
"Suje a borracha"
Aproveite a chance que o papel te dá de reescrever, corrigir, melhorar, tentar denovo... A vida não é tão generosa.
Não sou boa em iniciar textos.
Não sou boa em continuar textos.
Não sou boa em finalizar textos.
Desconexo. Nexo sem conexão.
Os que são, amém.
Os que não são, perdoem -os.
Um dia hão de ser.
LUXO
LUXO
LUXO
LUXO
L i XO!



Imitando alguém... Pq adoro esse joguinho de sons.
Nossos corpos emprensados pelo espaço frio e condensado. Nossas almas separadas pelo inevitável do vazio dentro do coração. Minhas lágrimas secadas pela brisa do rodemoinho motorizado. Ao som de Vanessa da Mata, que triste ironia.. Ainda bem que você vive comigo? Hino do passado. Sinto dizer, mas passado nunca volta. Mesmo que se façam promessas.


08.03.2007

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Arquiteta e decoradora de minha própria casa



Fechei os olhos e fiquei construindo a minha casa mentalmente. Convido -o a acompanhar minha lúdica odisséia...

Em primeira instância, quero morar numa casa de número par.
Não tão importante, mas merece ser lembrado, que não fosse numa travessa ou vila...
Quero morar do lado de uma padaria, de um jornaleiro, de um telefone público e numa cidade em que as farmácias façam entrega 24 horas sem cobrar por isso e que eu possa dormir de janelas abertas sem me preocupar com outra coisa, senão com infelizes e inconvenientes seres conhecidos por mosquitos.

O portão, uma roda gigante colorido. Cada cor, representando uma sorte. Com a chave mágica em formato de borboleta, vc entra e senta, quando atingir o topo, sai do brinquedo, abre a trava de segurança e está na varanda.
Esta por sua vez, toda iluminada e com tons pasteis, cheia de verdes e passarinhos cantando. Exatamente assim. Um beija flor azul que me visite todas as tardes. Uma rede indiana também, para que passe a impressão inicial de que sou apegada a natureza. Infelizmente, eu não sou. Mas acho que é uma boa impressão inicial. Vai esconder de mim mesma a verdade de que em meu passado infantil, arrancava rosas de suas raízes. O que há de mal? Enquanto eu arrancava pensava: "HAHA... VOCÊ VAI MORRER". Confeço, já torci por vilões. Além de apegada ou apreciadora da natureza, também vai passar uma idéia de romántica. Dizem que piscianos são románticos. Talvez eu seja mesmo aquariana e não saiba!

Pois bem... Além da rede, uma mesinha redonda de vime ou de jornal... Ou de qualquer material que passe a impressão de que eu gosto de trabalho artesanal. A entrada da casa é como o meu sorriso. Um caroço de feijão e pronto, acabou tudo; mesmo quando falso, tem que parecer bonito, feliz e inspirador. E voltando a mesinha... Que nessa mesinha tenha um livro de Paulo Coelho. Além disso, na parede, ao lado esquerdo da porta, em referência ao lado esquerdo do peito, o símbolo da amizade em japonês em metal. E consultando uma mística, que ela me diga o que colocar para simbolizar que nessa-casa-não-entra-mal-olhado. Esqueci de dizer que não sou muito respeitosa quanto aos símbolos japoneses... Acho de verdade uma coisa imbecil. Mas para qualquer um que olhe, vai pensar que sou uma pessoa muito boa amiga.

Não detalhei a porta... Que seja branca ou marfim para combinar com os tons pasteis escolhidos. Sobre a maçaneta, dispenso -a. Que a porta se abra ao colocar a mão no símbolo japonês, ainda em referência ao tal "no lado esquerdo do peito", e que jamais se abra com violência. Também quero que na porta tenha uma frase de Nietzshe minunciosamente talhada na madeira. A frase é a minha preferida "morra no momento certo". Sempre que eu entrar em casa, principalmente nos momentos de depressão, infelicidade ou carência, quero ler esta frase ou ainda que não leia, lembrar que ela está lá escrita.

Esta porta dará acesso a minha sala. A sala onde quero recepcionar meus amigos ludibriados por tanta informação falsa contida na varanda. Quero o chão de vidro, sustentado (visto que estamos no alto) por colunas fortes e seguras. Mas que ao olhar para o chão, vejamos uma ampliação gigantesca extendida por toda a sala de um quadro o qual não sai da minha cabeça de Salvador Dali. Não vai dar para perceber o quadro de nenhum ponto da casa, apenas eu saberei o significado e a forma. Isso facilita para quem for fazer o trabalho, vai poder me enganar que não vou perceber nenhuma imperfeição. A única coisa que perceberão é que aprecio arte visual. E isso, não é mentira.
Um sofá, do mais confortável e enorme possível, de cor ainda não pensada. Gosto de tirar longos cochilos na sala. De frente pro sofá, uma televisão. Ainda mais verdes, tapetes, quadros, telefone, som, relógio antigo e uma mesa com tampa de vidro e pés de aço prata com 8 lugares. Dois para mim e o homem que eu amar, um para Thiago, meu filho, outro para Lauanda, minha filha caçula (2 anos mais nova) e os quatro demais lugares para que nunca ninguém tenha que comer no sofá; para que meus filhos chamem seus coleguinhas de colégio para se tornarem amigos inesquecíveis de infância no futuro; para seus namoradinhos e os pais de seus namorados; 8 lugares, essencial. Também penso naquelas reuniões familiares e tenho muitos irmãos.
Ah sim, mesinhas por todos os cantos, que sustentem inúmeros porta retratos, de todas as partes do mundo, desde um chinês do tipo custou-o-olho-da-cara até mesmo um de vidro de R$ 1,99. E que em todas as fotos estejamos sorrindo e que nos faça rir quando percebemos o quanto ridiculos e cafonas eramos de 10 em 10 anos.

Desta sala, a sala de todos, uma corredor estendido desembocando-se várias portas. Que a primeira seja a da cozinha. Preta e de eletros cor de aço. Sem mesa. E que na geladeira não falte danone, leite e lactobacilos vivos para minhas crianças. Frutas numa cesta de vime num lugar visivel. Quero que as minhas crianças gostem de tudo que é saudável e que eu rejeito. No armário tenha chips, balas e bombons, e que estas crianças sejam crianças normais, que implorem por batata frita e bife aos sábados e façam cara feia para brócolis.

Em frente à porta da cozinha, seja o toalette social. Por ser toalette, dispensaria dizer, mas há quem não saiba a diferença, portanto, não terá chuveiro. Simples. Além do sanitário e da pia, que seja de cor salmon, que passe harmonia, serenidade.

Uma porta. Estratégicamente localizada como impecilho de visitantes continuarem a entrar em nossa intimidade.

Abrindo esta porta, o quarto de Thiago. Cama, armário, escrivaninha, confortável, bonecos, carrinhos, bola, brinquedos enfim... Construtivos ou não. Os da preferência dele e os da preferência de Piaget.
Em frente a porta de Thiago, meu filho, a porta de Lauanda. Por fora marfim como a de todos, por dentro rosa, combinando com o resto da decoração cuidadosamente preparada para não pecar pelo exagero. Cortinas em tom salmon.
2 passos a frente, ainda pelo corredor, o meu quarto. Uma colchão de casal daqueles de comercial de amaciante. Um closed. Sempre quis um closed. O meu banheiro.
A frente do meu quarto, o banheiro de meus filhos e do homem que me amar.

O vidro simboliza a transparencia. O que puder ser de vidro, será.

Enfim, mais uma porta como obstáculo de conhecer o corredor inteiro. Esta porta somente eu terei a chave ou o código de entrada. Seja o meu canto de ser eu mesma. Que seja lá que eu chore quando não conseguir me conter, que seja lá que eu reflita sobre meu comportamento e atitudes, que seja lá a oficina de meus pensamentos. Que lá eu escreva a novela que eu tanto sonho em um dia escrever. Que ninguém pise lá sem que eu autorize. Que lá esteja meu passado, minhas recordações mais íntimas. Que seja a minha alma concretizada. Que fique sombrio quando eu apagar as luzes, jamais totalmente escuro. Que lá eu encontre meus remédios caseiros feitos por mim mesma, que curam minha depressão, na composição de esferográfica e celulose.

Rua dos Bobos, número 2.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Refletir é como uma masturbação mental... Conclusão é orgasmo. Quem faz as coisas sem pensar, ejacula precocemente e não aproveita nada do clímax. Hoje eu tô me sentindo Veríssimo... Imagina se Lispector lê uma coisa dessas!

texto de 2005




Procuro um amor...

Que aceite como sou e não tente me mudar
Que me entenda com olhos e beijos, dispensando as palavras
Que me queira à todos os instantes mais que tudo nessa vida
Que me dê prazer como ninguém nunca o fez
Que me faça ser feliz e divida sua felicidade
Que me apaixone todos os dias
Que me faça sentir única em sua vida
Que ouça todos os meus medos e receios
Que me aconselhe
Que me acompanhe e nunca me deixe sentir só
Que veja comigo o por do sol e nascer
Que não tenha medos nem receios
Que seja meu amigo, meu pai, namorado e amante
Que me proteja de todo o mal que eu inventar na minha cabeça
Que me ligue todos os dias pra somente ouvir minha voz
Que lembre de todas as datas importantes
Que diga todos os dias o quanto eu sou especial
Que seja romántico e me trate com carinho
Que ao fechar os olhos só a minha imagem venha em mente
Que seja leal, fiel, preocupado e apaixonado
Que me ame...
E que me amando, me respeite, me entenda e me acompanhe
E que seja eterno enquanto dure!

sábado, 10 de fevereiro de 2007

tattoei a assinatura da mulher mais importante de toda a minha existência. uma forma de leva -la comigo fisicamente onde eu for, além do coração é claro, pro resto da vida.

talvez depois faça algum post melhor sobre ela.
é merecido... não foi só uma tattoagem; tem significado.
mas por hora, é só isso!

domingo, 4 de fevereiro de 2007

mudaram as estações, nada mudou



"Definir é limitar"; ouvi isso em alguma aula chata de Metodologia Científica.
É, até que na faculdade a gente aprende alguma coisa aquém de conteúdo meramente profissional.

(...)

Seguindo esse conceito, me considero um ser muito esquisito, impossível de demarcar limitações, logo, impossível de aceitar definições. Ainda vigora em minha vida aquele texto dos meus 16 anos em que eu dizia ser uma menina paradoxal. Continuo vivendo a fase conflituosa de ser e não ser, não ser e também ser. Tanto se estendeu essa fase que concluo se tratar de uma característica (, muito embora saiba que a turma da psicanálise chamaria de patologia).


É válido lembrar que os seres mais inteligêntes e interessantes de nossa história, eram ferozmente acusados e gozados por insanidade e de desconexo de idéias. LOGO... (conclua meu raciocínio).

Compromisso ético:

Detalhe SUPER importante sobre este blog:

O que está em roxo fui eu quem escreveu. O que está em vermelho, é de alguém, que eu li, curti e pensei "Caramba, que bacana! Eu queria ter escrito isso!".



* Preservo assim os direitos autorais alheios, posto que gostaria de que preservassem os meus.